Desolação

Primeiro foi o tombo, que tristeza,

depois os ferimentos dolorosos.

Agora, uma enorme depressão,

cada vez que me olho no espelho

e me vejo tão feia e tão marcada.

Sinto no âmago do coração

que ninguém deveria ficar feio,

pois a feiúra é mais do que um castigo,

é a solidão no fim da caminhada,

que somos obrigados a fazer,

em geral, sem a mínima destreza,

e nos conduz tão perto do perigo.

Espero que tudo isso passe logo,

ou então que eu vá pro outro lado.

É só isso que a Deus eu hoje rogo

ao me sentir tão triste e desolada.

E quem me censurar por estes versos,

contando menos de 80 anos,

não sabe o que pensar e o que dizer,

não conhece da vida os desenganos.

E se um dia chegar a esta idade

e sentir-se tomado de fraqueza,

há de me dar razão no que escrevi,

pois chega o tempo em que já nada somos,

(e mais que isso agora eu já vivi)

pressentindo da vida a derrocada,

como a laranja que perdeu seus gomos!

 

Mary Schultze, 01/10/2012.

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Tinha uma pedra no meio do caminho

Tinha uma pedra no meio do caminho” –

– de um caminho íngreme demais,

quando aquelas mulheres piedosas

levaram seus aromas especiais,

querendo ungir o corpo de Jesus.

Na manhã de um domingo promissor,

o qual do sol inda não tinha a luz,

elas seguiam, repletas de amor,

querendo ungir o corpo de Jesus.

As pedras que encontraram no caminho

mais supriram de zelo o seu labor,

para alcançar o túmulo onde, sozinho,

jazia o corpo do nosso Senhor.

Só que, ao chegar ali, a grande pedra,

que servia de porta àquele túmulo,

havia sido antes retirada,

pelo poder de Sua ressurreição.

Jesus, o homem-Deus, que sempre foi

o primogênito de toda a criação,

naquele dia também se tornou

o primogênito da ressurreição.

E hoje, graças ao nosso Salvador,

temos certeza que também um dia

iremos todos ressurgir, em glória,

para adorá-Lo com todo fervor,

pela eternidade… E nunca mais

iremos padecer tristeza e dor.

 

Mary Schultze, 04/04/2010 – maryonlybible

ENGODO & CIA. LTDA.

E agora, quem é que está querendo

“contender pela fé entregue aos santos”?

Porque há tantos por aí, dizendo

que não devem criticar a fé alheia

para evitar contendas… desencantos!

Contudo, a coisa está ficando feia,

com a Nova Era entrando na igreja,

escudada na Psicoterapia.

Mas, os gazofilácios são repletos

de moeda e papel (da membresia),

enquanto certos membros desafetos

sentam, calados (que ninguém os veja!)

Quem são os desafetos desses “anjos

da igreja” (esses homens elegantes)?

São os crentes sinceros, que detectam

a entrada na igreja do Hinduísmo.

Os pastores, profetas e os apóstolos

vão pregando somente o que interessa:

muita riqueza, poder e misticismo

(o coração da pregação moderna),

tentando reviver o Judaísmo,

de cujas bênçãos logo se apropriam,

os castigos divinos descartando,

calculando o “metal”, que entra, à beça!

Satanás nem precisa de disfarce

pra mentiras pregar, nessas igrejas,

todas elas imersas no seu fogo,

na redundância de cada “promessa”.

Todos querem deixar a NOIVA em paz,

nomeando os hereges de irmãos:

“Vamos levar à Terra Prometida

nossos irmãos pacíficos e ordeiros,

deixando a outra multidão detida

nas rudes mãos dos nossos carcereiros.

A Psicoterapia e o Amor

são os nossos assuntos verdadeiros;

por isso vamos deletar agora

esses que se demonstram encrenqueiros

e nunca ficam a nosso favor.

Somente os “mestres” vamos escutar,

pois suas pregações são um estouro!

Por isso eles lograram alcançar

fama, sentando-se em tronos de ouro!

E mesmo que nos tragam apostasia

e o Anticristo, vamos concordar

pois, já está quase chegando a hora

do Maytréia se manifestar.

E se alguém não aderir a isto, agora,

que se desligue desta membresia:

‘incomodados, dêem logo o fora

e vão cantar em outra freguesia!’”

 

Mary Schultze, 16/08/2009.

Confio e Espero

Em Ti, Senhor Jesus, confio e espero;

és o meu grande Deus e Salvador.

Te adorar, eternamente, eu quero,

sempre firmada no Teu grande amor.

Sendo Tu Homem e Deus numa Pessoa

e o Sumo Sacerdote do cristão,

nunca deixas alguém sofrendo à toa,

no engodo sutil da tentação.

Nas horas de alegria e de tristeza

Tu cuidas do enfermo e do são

e não condenas a nossa fraqueza,

estendendo depressa a Tua mão.

Sendo Tu Homem podes entender

cada momento de tristeza e dor

e sendo Deus Tu podes exercer

o atributo do Teu grande amor.

Eu sei que meus pecados vais jogar

do mar na mais remota profundeza

e um corpo imortal Tu vais me dar,

revestido de glória e de beleza.

Diante do Teu Nome glorioso,

de bom grado eu desejo me prostrar,

sem esperar o Dia grandioso,

quando a fazê-lo o Pai vai obrigar.

A qualquer hora podes me levar,

só espero que seja, brevemente,

e os amados no céu vou encontrar,

na hora que Te for conveniente.

 

Mary Schultze, 01/05/2010

Esperança

Tenho por fé, me enchendo o coração,

que um Deus de amor por mim morreu na cruz.

Eu sei que meus pecados longe estão,

todos eles sanados por Jesus.

Agora que eu estou justificada

e vivendo feliz nesta certeza,

me sentindo bem mais que realizada,

numa vida repleta de justeza,

posso esquecer tristezas do passado,

tendo minha alma plena de alegria,

e num anseio mais do que elevado,

confio em que Jesus verei, um dia!

 

Mary Schultze, 07/11/2007

A Iconoclasta

Antes de me converter ao legítimo evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo, aos 48 anos de idade, eu era uma tremenda idólatra e, mais precisamente, uma fanática mariólatra. Nascida no dia da “Imaculada Conceição”, meus pais me consagraram à “Imaculada” e ainda me obrigaram a usar branco e azul até os 18 anos, por causa de uma promessa feita à “Mãe de Deus”.

Fui uma garota esperta e aprendi a ler em casa, com a ajuda do meu pai. Aos oito anos de idade lia todos os livros de histórias que ele me trazia da feira semanal, na cidade do Crato (CE). Minha infância foi ótima, rodeada de flores, frutas e livros de histórias infantis. Meus pais não eram ricos, mas tinham um sítio onde as folhas das laranjeiras, bananeiras e mangueiras cantavam lindas canções ao balanço do vento nordestino. Os pés de alface e os tomateiros ornavam de verde e vermelho o pequeno jardim da nossa casa.

Cresci forte e saudável, com ótimos dentes fortalecidos pelos roletes de cana que eu chupava constantemente, dos queijos caseiros que comia nas 3 refeições e, assim, recebi ótima dosagem de vitaminas e sais minerais provenientes dos derivados do leite e das frutas cítricas que eu saboreava, debaixo das árvores carregadas de frutos.

Fiz o curso primário, depois o segundo grau e quando estava na faixa dos 20 anos, apaixonei-me perdidamente … por um professor, de quem ganhei o primeiro beijo. Sendo católica praticante, logo fui confessar o “terrível” pecado ao padre da paróquia – O Monsenhor Assis.

À noite, quando tentei fazer as orações diárias, tive a ideia de escrever um poema de amor para o homem, de quem recebera o primeiro beijo e que, infelizmente, estava noivo de outra moça. O poema dizia assim:

No meu quarto pequeno e solitário, /que recende a jasmim,/ guardo eu três relíquias: um rosário, /um Cristo de marfim e um caderno de versos./ Todas as noites, antes de deitar-me,/ apanho o meu rosário/ para rezar ao Cristo sofredor,/ mas os meus pensamentos vão, dispersos, /procurar emoções, longe dali./Reagindo, contemplo a imagem santa/ de quem sofreu por mim. / E tento concentrar meus pensamentos /no Cristo Redentor./ Mas Seu divino olhar sereno e eterno / faz-me lembrar de ti./ Largo o rosário, apanho o meu caderno, /sentindo n´alma um jato de fervor./ E começo a escrever sobre o meu leito/ um poema dizendo que te espero./E se tu não vieres, meu amor, / em poucos anos estará desfeito/ da minha mocidade o esplendor. /E então somente eu amarei o Cristo, /porque por Ele o meu amor é puro, /divinizado, eterno e grandioso,/ e Ele está aqui!

Eu vivia atormentada com medo de ir para o inferno, por causa dos meus pecados. Como a maioria dos católicos, vivia preocupada, pois não conhecia as passagens de 1 João 1:9 e 7-b: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça… E o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado”. Se eu tivesse aprendido que deveria confessar meus pecados diretamente a Deus, e não ao Monsenhor Assis, isso teria poupado muita depressão e tristeza ao meu coração enganado pelos sofismas de Roma.

Nosso Senhor conhece o coração de cada ser humano. Quando Ele vê pureza e desejo de agradá-Lo, depressa promove um meio de reconciliação e conduz a pessoa ao aprisco do verdadeiro Pastor. E foi assim que, anos mais tarde, depois de ter sofrido muito na teia aracnídea da escravidão romana, libertei-me do medo de ir para o inferno e fui transportada “ao reino do Filho do amor de Deus” (Colossenses 1:13), para usufruir uma vida reta, diante de Deus e dos homens. Não por medo do inferno, mas por amor Àquele que me resgatou do pecado, da mentira religiosa… Enfim, do engodo satânico da religião legalista. E quando descobri a verdade, fiquei com tão furiosa contra o engodo católico que resolvi quebrar o crucifixo, que tanto havia adorado, imaginando que ele era Deus. Foi assim que me tornei uma iconoclasta.

Mary Schultze – 30/10/00 – atualizado em Setembro 2012.

maryonlybible.

Vou-me embora pra Alemanha

Vou-me embora pra Alemanha, pois lá eu tenho a família.
Lá tenho a filha e os netos, na rua que escolherei.
Vou-me embora pra Alemanha, que aqui já não sou feliz.
Lá terei uma aventura, de tal modo inconseqüente,
que a filha vai me estranhar e talvez me achar demente,
detestando ser parente de quem bota pra quebrar!
Lá terei carro do ano com motorista fardado,
um alemão bem bonito, muito louro e bem corado!
Não terei banho de mar, que na Alemanha inexiste,
terei a Floresta Negra e a ela ninguém resiste.
Mando chamar minha filha pra me fazer cafuné,
que, ao tempo dela criança, histórias eu lhe contava.

Hoje ela é quem vai contar e esta é minha esperança!
Vou-me embora pra Alemanha, que a Alemanha tem de tudo:
tem ruas muito limpinhas e euro-civilização.
Tem vinte tipos gostosos de torta e também de pão,
tem verde por toda parte, e tem flores de montão!
Tem framboesa à vontade, tem cerejas vermelhinhas,
é só estender a mão e comprar – bem baratinhas!
E quando eu ficar mui triste, com saudade do Brasil,

da filhota Rosemary, dos meus irmãos tão amados,

o PP e o Atalaia, eu acesso a Internet.

Quando de noite me der o desejo de chorar,
chamo a neta Luciana que em Leipzig foi morar,

e ela, muito tranqüila, vem depressa me afagar.

Vou-me embora pra Alemanha, que aqui não posso ficar!

Vou falar língua de gringo, a coisa que eu mais quero!

Vivo caindo nos bancos, na rua e até na cozinha,

e muita gente concorda que sou “auto-periguete”!

Preciso de uma pessoa, que me cuide com esmero

e não vá me atrapalhar… com fofocas da vizinha!

 

Paráfrase do poema – ”Vou-me embora pra Passárgada” (Manuel Bandeira) Mary Schultze, 05/10/07 – Atualizado em 29/09/2012.