Abraão, o inconformado

A história foi contada por um rabino ao meu amigo cristão, Sérgio Guedes, (professor de Hebraico), em Jerusalém, pouco antes de uma reunião na Sinagoga, onde Sérgio foi homenageado, sentando-se entre os rabinos mais proeminentes do mundo, ao lado do rabino principal de Londres, que o tratou com a maior cordialidade.

Abraão ainda se chamava “Abrão” e a ele seria prometido, mais tarde, todo o território da futura nação de Israel. Ele também seria chamado “o amigo de Deus”, conforme a Bíblia, em Tiago 2:23. Era um jovem muito esperto, filho de Terá, um fabricante de ídolos, que residia em Ur, na Caldéia. Seu pai fabricava ídolos para vender, não porque acreditasse no poder destes para resolver os problemas, mas porque aquele era um modo agradável de ganhar dinheiro. [A ICAR PREGA A IDOLATRIA, A FIM DE FATURAR, DO MESMO MODO COMO O FAZ EM RELAÇÃO AO LENDÁRIO PURGATÓRIO].

Terá era um protótipo dos papas do Catolicismo Romano, que adoram imagens de metal, madeira e barro, e ainda recomendam os seus seguidores a fazer o mesmo. São cegos guiando cegos. Às vezes nem são tão cegos assim, pois sabem que essas imagens nada significam, mas dão um lucro fabuloso à sua Igreja e, portanto, as promovem, pensando no tilintar das moedas, jóias de ouro e pedras preciosas, bem como no discreto som das notas caindo nos cofres do Vaticano.

Voltando ao amigo de Deus, como já dissemos, ele era muito “CLEVER” e seu pai nele depositava a maior confiança. Abraão seria escolhido por Deus para uma grande missão, que era dar início a um povo especial no meio dos gentios, ou seja, o povo hebreu. Provavelmente por causa disso Abraão, desde cedo, sentiu um desprezo enorme pelas esculturas do pai e recusou-se terminantemente a aprender o ofício, que, naquele tempo, era quase obrigatório que o filho herdasse do progenitor. Preferiu estudar as línguas antigas e foi levando sua vida de jovem inconformado, até que um dia o pai resolveu fazer uma longa viagem e falou para o filho:

“Abraão, vou fazer uma viagem de muitos dias e como tenho o maior ciúme de minhas esculturas, não quero pessoa alguma entrando em meu local de trabalho. Você, meu filho, guarde minhas obras com o maior cuidado, para que, ao regressar da viagem, eu possa encontrar tudo na mais perfeita ordem”.

Abraão prometeu solenemente ao pai que teria o maior zelo pelos seus trabalhos e o pai viajou tranqüilo. Poucos dias depois, uma vozinha insistente começou a falar no ouvido de Abraão (talvez o Espírito Santo), ordenando-lhe que descesse ao porão, onde as esculturas de Terá estavam guardadas. O moço não gostou daquela idéia, pois detestava aqueles “deuses” fabricados pelas hábeis mãos do seu pai… contudo resolveu obedecer. Entrou no enorme salão de terra batida e foi examinando aquelas esculturas de pedra, uma por uma. De repente, sentiu um asco enorme daqueles rostos estranhamente iracundos e tomou uma decisão, que poderia levá-lo à morte, pois, no contexto pagão daquela época um pai tinha o direito de matar o filho, caso ele desobedecesse as ordens recebidas.

Abraão apanhou uma estaca de madeira bem forte e saiu quebrando as esculturas do pai, como se estivesse possuído de uma força “hulkiana”. Quebrou todas, exceto um ídolo enorme, de pedra, que representava o maioral da turma, provavelmente Baal. Esse ídolo, de pé, tinha os braços numa posição de quem estava a ponto de segurar uma estaca para destruir tudo que estivesse à sua frente. Abraão olhou para aquela figura grotesca e pensou: “Já que meu pai vai me matar por causa dessa iconoclastia que acabei de praticar, vou dar cabo, também, desse monstro que ainda está de pé, fitando-me com olhos ameaçadores”. Só que, de repente, teve uma idéia genial. Pegou a estaca e colocou nas mãos daquele gigante de pedra e quem olhasse a figura poderia jurar que ela estava a ponto de usar aquela estaca para atacar e destruir qualquer inimigo que lhe surgisse pela frente.

Abraão saiu dali aliviado, e aguardou a chegada do pai. Quando este regressou da viagem e viu a devastação em seu atelier, começou a gritar descontrolado, cobriu a cabeça de cinzas, e chamou o filho para indagar quem havia entrado ali e feito aquela tremenda destruição. Abraão fingiu estar admiradíssimo, e garantiu que nenhum “estranho” havia entrado ali. E quando o pai indagou como seria possível explicar aquele ato de vandalismo, ele apontou, discretamente, para a figura que segurava a estaca na mão e falou: ”Pai, eu acho que foi esse ali…” Terá arregalou os olhos e falou: “Meu filho, isso aí é uma escultura de pedra, não tem poder algum para fazer bem ou mal a quem quer que seja. Não anda, não fala, não ouve e nem vê. Portanto, não pode agir de modo algum”. Abraão respondeu: “Pai, se o Sr., acha tudo isso, como é que se dá ainda ao trabalho de fabricar essas monstruosidades e vendê-las?” Terá respondeu: “Meu filho, não creio nelas, mas há muitos pagãos, tão idiotas, que nelas crêem, compram-nas, se ajoelham diante delas e lhes pedem favores.”

Foi então que Abraão se ajoelhou diante do pai, confessou o seu ato de iconoclastia e disse que se o pai quisesse, poderia matá-lo, ali mesmo. O pai perdoou o filho por causa da coragem de confessar o “pecado” cometido e profetizou: “Meu filho, algum dia um outro Deus que ainda não conhecemos há de exigir que sacrifiques um filho teu para Lhe provares a tua fé. Sinto que devo perdoar-te, a fim de que possas conhecer esse Deus, e, quem sabe, servi-Lo fielmente”.

 

Mary Schultze – atualizado em 09/08/2012.

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